
Se a senhora não falar coisas boas a meu respeito…
Quem o fará?
Se a senhora não se lembrar de me cobrir
quando a noite for mais fria do que eu pude prever,
Mãe,
quando meu bruto coração coalhar-se em lágrimas,
e eu ficar feito um tatu cego e assustado,
Quem, se não for a senhora, saberá ocupar-se de mim?
Essa terra gruda nos cabelos, entra nas narinas, come os olhos, estoura as unhas… A senhora sabe!
A senhora sabe!
Mãe,
Lembre-se de que eu sou pó…
Lembre-se de que eu sou barro!
Mas lembre-se sobretudo…
De me cobrir, se não puder mais que esconder
a minha fria vida…
A minha fria vida,
Mais fria do que eu pude prever.
Autor:Sueli Caramello Uliano
Fonte:http://www.portaldafamilia.org.br

